2007-08-12

"DESCULPEM mas não resisto"

É o título (aqui) de mais um post de Vítor Dias, dirigente retirado do PCP e actualmente consultor, sobre o livro Álvaro Cunhal e a dissidência da terceira via a quem o autor desvanecido começa por agradecer a atenção assim como ao Avante pelos seus três artigos.
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Dias dixit:" ... parece que Raimundo Narciso está muito «decepcionado» com Zita Seabra. De facto, vendo que Zita Seabra, no seu livro de memórias reescritas pela sua presente ideologia, o tinha incluído num grupo que, a certa altura...
"Ora acontece que Raimundo Narciso pode ter carradas de razão mas não tem nem um cisco de autoridade moral ou política para se queixar do comportamento de Zita Seabra. É que, em 5 de Maio, aqui, eu desmenti uma referência feita num texto do Expresso, implicitamente reportada ao livro de R.N., segundo a qual eu próprio (tal como Luís Sá e Ruben de Carvalho) teria participado numa primeira fase da «conspiração» da «terceira via» e que, só depois, não teria acompanhado R. N. "
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1) Começo com uma declaração de interesses relativamente ao meu livro: não só estou aberto a todas as rectificações que se revelem fundamentadas como peço e agradeço a quem se queira dar a tal maçada a fineza de mo comunicar para nas futuras edições as incluir.

2) Queixou-se Vítor Dias (VD) com infundado alarme, no seu blog, de uma monumental mentira e uma rotunda falsidade (aqui e aqui )
Se quisesse usar o estilo "corânico" de VD podia dizer que toda a sua MONUMENTAL indignação assenta primeiro numa apresentação jornalística do livro no Expresso pela qual obviamente não me cabia responder. Aconselhei que antes de prosseguir a gritaria lesse o livro (fim deste post). Mas VD preferiu tresler o livro para se dar razão no primeiro post e, vitimizar-se, com queixas infundadas. Acusou o autor de coisas nefandas como a de ter ido para o PS com "relativa rapidez"! Oh Vítor Dias você está a falar a sério ou a fingir que confunde o PS com o reino do mal? V. está a falar, descontraído, no seu blog, ou está a pregar do alto da sua antiga madrassa?).

3) Ora como Manuel Correia expõe aqui e aqui só forçando o texto do livro, dizendo sim quando se diz não se poderá descobrir VD entre o grupo dissidente da 3ª via.
Para que fique claro, repito o que se depreende do livro:

Vitor Dias não fez parte do grupo "fraccionista" da 3ª via. Nem antes nem depois dele existir (nota 1). E para memória futura e eventual defesa aqui deixo este registo.

Quando digo no livro (pág 65) e VD transcreve “Dos iniciais componentes do Gabinete de Crise (durante o ano de 1987 e início de 88) já só restavam, decididos a não recuar, António Graça, Vítor Neto, Pina Moura, Fernando Castro, José Luís Judas e o autor deste relato. Vítor Dias, Luís Sá, Ruben de Carvalho e outros que até ali tinham feito intervenções mais ousadas, [no comité central, perante quase 200 testemunhas] mas sem nunca pisar o risco, deixaram de nos acompanhar, por convicção ou por outras razões."
O pecado fraccionista só vem lá para Abril de 1988 (não tenho elementos escritos sobre a data exacta) e pessoas como as citadas e que naturalmente poderiam ter evoluído para posições de rotura com a linha política oficial não evoluíram. Posso aceitar que era no máximo uma expectativa de alguns dos futuros "fraccionistas" e dissidentes que a realidade revelou errónea e assim salvou VD e outros desse calvário ou dessa libertação, conforme os pontos de vista.

4) Vítor Dias talvez tenha querido prevenir "leituras" de quem só distingue o preto do branco e acusou-me de o meter dentro da "3ª via" ou ao menos nos tratos preambulares da sua formação. Posso jurar que Vítor Dias está, tanto quanto sei, totalmente limpo de qualquer contaminação. E mais, com bonomia estarei disposto, se ele muito insistir, a aceitar que VD pode ter pecado por pensamentos mas não por obras de que eu tenha conhecimento.

5) Dizia VD no seu blog: "acontece que Raimundo Narciso pode ter carradas de razão mas não tem nem um cisco de autoridade moral ou política para se queixar do comportamento de Zita Seabra."
E forçoso é concluir que as posições de RN e Zita Seabra são diametralmente opostas. RN quer que Zita Seabra o retire duma "inspecção" a sua casa que descreve no seu livro mas onde ele não esteve e ZS diz que não altera nada do que escreveu. Relativamente ao meu livro VD quer ler à força e contra o que escrevo que eu o arrumei entre os dissidentes mesmo que só nos treinos. E eu remetendo para o livro nego e dispunha-me gratamente a retirá-lo se lá estivesse.
Assim se revela que Vitor Dias é que não tem "um cisco de autoridade moral ou política" para vir com mistificações pouco sérias."
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Nota 1: "Gabinete de Crise foi a expressão que num momento de inspiração um dos membros da segurança da sede do comité central se lembrou de aplicar ao grupinho que diariamente se juntava na sala de convívio, da Soeiro Pereira Gomes, depois de almoço, com cara de caso e conversa solta a discutir o futuro do PCP. Estávamos em 1987. Hoje ninguém se lembra disso a não ser um ou outro dos raros elementos da segurança que ainda se não foi embora, perdida a fé, a esperança e as razões que justificavam o espírito de tanto sacrifício." (página 26, do livro AC e a dissid...")
Nota 2: para o tornar mais "legível" reduzi a extensão do post.

5 comentários:

Rogério Costa disse...

Senhor Raimundo Narciso:

Foi com gosto que registei a sua disposição de acolher emendas e rectificações ao seu livro.

Como tenho tempo livre e me interesso por estas coisas de memórias, aproveito para lhe enviar já uma.

É que na página 64 do seu livro diz que andava a ser seguido por um Mini vermelho de que só apanhou o ínicio da matrícula, ou seja AC-23..

Ora acontece, senhor Raimundo Narciso que, em Portugal, carros com a matricula a começar em A só mesmo aí nos anos 30, tempo em que não se fabricavam Minis.

Talvez V.Exa. tenha confundido a perseguição de automóvel que lhe foi movida por alguma sua visita ao museu dos carros antigos no Caramulo.

Rogério Antunes da Costa
funcionário aposentado da
Direcção Geral de Viação e Trânsito.

Cecília disse...

Rogérioo Costa, no princípio dos anos 70 tive eu um mini branco que já deve estar no ferro velho há muito. Era um AH-88-19.
Depois da série "A" e da "C" voltaram cedo as matrículas a começar em A.

Raimundo Narciso disse...

Agradeço ao Rogério Costa e à Cecília a atenção. A matrícula do Mini, que aliás não guardei, é deliberadamente fictícia.

I. Videira disse...

Raimundo Narciso, está de parabéns!

Primeiro, por mais um livro, com o rigor histórico. Segundo, pelo diálogo que tem conseguido manter ao longo de todos estes anos, e sempre com a coragem que o caracteriza. Terceiro, pela habitual precaução quando se refere a factos; aliás seu timbre – quando envolvem terceiros (neste caso não se sabe se aquela relíquia do Mini ainda circula, se apenas serve de ponto de vigia, ou se faz parte de qualquer museu…).

É que a verticalidade e a experiência vêm de longe…

Portanto, nota máxima!

JN disse...

Meus "amigos" caramba querem o nome do condutor do mini eu sei se quiserem é só pedirem e mais lhes digo o condutor andou a segui-lo de carro e a pé e também posso dizer que me conheceu e que não deve ter achado graça aquilo que fez mas estava mandado.