2007-08-07

Zita Seabra não corrige

Zita Seabra em entrevista ao Correio da Manhã Domingo passado:
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Correio da Manhã: - Raimundo Narciso, dissidente do Partido Comunista Português (PCP) é apontado no livro como uma das pessoas que, em 1988, invadiram a sua casa . Ele negou ter participado nessa operação e assegurou que o lapso seria alterado.
Zita Seabra: - Sobre o que está escrito, não tenho nada a adiantar.
CM - Vai ou não alterar?
ZS - Eu não altero nada.
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Reafirmo tudo o que disse antes, isto é, que nunca estive em casa de Zita Seabra e não tive absolutamente nada a ver com a operação que relata no seu livro, nem directa nem indirectamente.

O mínimo que posso dizer das declarações de Zita Seabra ao CM é que fiquei muito decepcionado. Na realidade, das qualidades que mais aprecio numa pessoa é a sua honradez, e o respeito pela palavra dada. Não sei como explicar tal atitude. Nós conhecemo-nos bem desde pelo menos o momento em que ela se tornou um quadro conhecido no PCP, quando em 1984, foi o rosto das posições comunistas sobre o aborto na AR. E mais ainda no período das dissidências de 1987/91. Parece-me estranho que me pudesse "ver" em sua casa sem eu lá ter ido. Um desconhecido pode ser confundido. Um caso de pouca relevância pode facilmente esvanecer-se na memória. Num caso como aquele não sei explicar. Mas dei-lhe o benefício da dúvida. Zita Seabra equivocou-se.

Em 13 de Julho, não conseguindo contacto telefónico, enviei a Zita Seabra para o Grupo Parlamentar do PSD, um email a pedir rectificação. Nesse mesmo dia, algum tempo depois, consegui falar-lhe por telefone para a AR. Revelei-lhe a minha estupefacção pelo que me imputava no livro. Zita Seabra como explicação foi-me dizendo que "recebi uma nota com o teu nome" e mais à frente: "tinha um apontamento com o teu nome" o que me levou a perguntar-lhe, porque no livro não é explícito, se ela não estava presente. Que sim que "assistiu a tudo". Perante o meu espanto acrescentou que lhe entraram pela casa dentro "10 ou 15 pessoas". Tomei isso como uma explicação para o equívoco no meio da confusão. (Se bem que me pareça inverosímil que possam ter ido mais que 3 ou 4 pessoas. A menos que os "serviços secretos e de segurança do PCP" quisessem fazer uma acção para dar nas vistas o que seria absurdo. Zita diz que além das 4 pessoas cujos nomes cita, das quais três eram membros do Comité Central, iam ainda com eles segundo diz no livro "todos os membros mais importantes das equipas de segurança, dos serviços de informações e das ligações aos serviços secretos"!! Mas, enfim, 19 anos depois, é natural nem tudo ter ficado na memória.) Perguntei-lhe ainda a data da "inspecção" para perceber melhor em que ponto das várias dissidências íamos então. Disse-me que foi antes da sua expulsão da Comissão Política do PCP (que ocorreu na reunião do CC do PCP em 4, 5 e madrugada de 6 de Maio de 1988 que eu descrevo pormenorizadamente em quase 10 páginas do meu livro Álvaro Cunhal e a Dissidência da Terceira Via publicado em 15 de Maio de 2007, cerca de um mês e meio antes do livro de Zita Seabra.)
Segundo depreendo e apoiando-me no seu livro, Zita Seabra, ainda na Comissão Política do PCP, já no princípio das divergências mas ainda acreditando (como muitos de nós, aliás) no comunismo, foi pressionada pelo secretariado do CC do PCP para autorizar a inspecção a eventuais escutas na sua casa. Zita Seabra que ainda não rompera com o PCP autorizou.
Zita Seabra que manteve sempre, antes e depois da sua expulsão do PCP, relações cordiais comigo, se não se lembrava de quem foi a sua casa, quando escreveu o livro, poderia avivar a memória junto de mim (no que a mim diz respeito) ou até de outros que cita.
Tentarei ainda falar com Zita Seabra para perceber o que se passa. E para que corrija o erro. Não só se trata de uma questão de justiça mas de veracidade e credibilidade do livro e da autora.
Julgo que também Zita Seabra tiraria proveito de tal correcção.

8 comentários:

Anónimo disse...

'foi-ou não foi?-assim' ???????????

Porque é que ao acabar de ler o que RN refere hoje sobre a controvérsia relativa a afirmações de ZS no seu 'foi assim', fiquei agoniada...


Que a cambada do MileniumBcp arme um circo daqueles na Alfândega do Porto é grave, pelo descrédito holístico em que coloca aquela instituição. Mas, isso NÃO ME PREOCUPA ABSOLUTAMENTE NADA, , até acho divertido...

Porém, apesar dos pesares, assistir a esta cena deprimente do 'foi-ou não foi?-assim' e pensar que, degrau a degrau, ZS vai arrastando o que resta RN percorrer até ao buraco negro da HISTÓRIA onde, há muito, ZS já chafurda, perturba-me fortemente.

Permanece-me na Memória, ainda que venha sendo eficazmente esbatida pelo próprio RN, a lembrança da valorosa contribuição dele na luta antifascista.

Apesar do pouco que resta de RN, ainda não se resume ao conjunto vazio... Por isso, este seu "movimento uniformemente acelerado" em torno do 'foi-ou não foi?-assim' , atordoa-me e agonia-me.

Espero não ter que chegar ao vómito...

Raimundo Narciso disse...

Senhor anónimo por favor não venha para aqui vomitar.

Anónimo disse...

Caro Narciso Raimundo tratou por anónimo o comentador anterior? Então não reparou que é uma anónima (a camarada Margarida)

Anónimo disse...

SÓ VAI DEPENDER DE SI...

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Raimundo Narciso ha dit...

Senhor anónimo por favor não venha para aqui vomitar.

7 de Agosto de 2007 18:00
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Anónimo disse...

Zita Seabra diz que “Foi Assim”, sim senhora.
Pág.:187 – 3º § - “Tinha uma dureza que ficou famosa.” ...”Eu era uma verdadeira bolchevique…de uma obediência cega ao que me mandassem executar”
Pág.: 188 – 3º § …“criei na UEC uma disciplina de Exército” …”Trabalhava dia e noite, Sábados e Domingos e nunca perdia tempo” , “…nem nunca questionei a menor das orientações do partido". “Nunca deixei porém de ser coquette”.

Deprimente e caricato. Com gente assim o PSD não vai lá.

Anónimo disse...

Caro Raimundo Narciso,

O comportamento de Zita Seabra neste caso revela uma falta de ética para mim inesperada. Com efeito, tinha lido o livro "Foi Assim" e fiquei favoravelmente impressionado.

Ao ler o seu post em que relatava a sua conversa telefónica com ela, e como ela se tinha disponibilizado para corrigir as informações erradas que existiam no livro a seu respeito, mais bem impressionado fiquei com a senhora; quando, no domingo passado, li a entrevesta de Zita Seabra ao Correio da Manhã, abri a boca de espanto: afinal, a mulher que eu admirava como corajosa e honesta, mostrava que lhe faltava uma das qualidades que eu tanto admirava: a honestidade.

Penso que faz bem em tentar de novo chegar à fala com ela, embora eu já não acredite que daí resulte alguma coisa. No fundo, acho que a questão já é do foro comercial: se ela desmentir alguma coisa no livro, acha que todo ele deixará de ter credibilidade, deixando, naturalmente, de vender.

Rui P. Bebiano disse...

Caro Raimundo

Porque será que nada disto me espanta? A Zita sempre foi assim, por que há-de ser diferente? No meio de todas as "imprecisões" do livro essa é apenas mais uma. Se ela fosse a corrigir todas as "imprecisões" ficava nisso "ad eternum". Era assim uma espécie de "medidas de segurança" ... :-(

Anónimo disse...

É óbvio que nunca leria o livro desta senhora, pelo que tenho lido sobre as mentiras que esta senhora escreveu no seu livro, só tenho a lamentar, sou de opinião que esta senhora está passada da cabeça e sofre de qualquer mal, sinceramente nem sei como se pode levar a sério esta senhora.