2007-09-30

Apresentação do livro no Porto

No dia 25 de Setembro o livro Álvaro Cunhal e a dissidência da terceira via foi apresentado no Porto no fórum da FNAC em Stª Catarina, por Joaquim Pina Moura, com a presença do autor e da Isabel Ferreira representante da editora Âmbar.
Pina Moura fez uma apreciação crítica das posições políticas defendidas pelo PCP e que estiveram na origem das divergências políticas que ao longo do tempo culminaram na dissidência e afastamento de muitos quadros e militantes, no fim dos anos 80 início dos anos 90.
O evento contou entre outros com a participação de antigos membros do Comité Central do PCP, como Ernesto Afonso e João Semedo actualmente deputado pelo Bloco de Esquerda, o ex-deputado do PS, Pedro Baptista, o jornalista Carlos Magno. Uma das intervenções da assistência pertenceu a um militante ou simpatizante do PCP que ponderou não ter o autor nem o apresentador o direito de falar desse partido e que, pelo que disseram, provaram que nunca foram comunistas. Foi uma intervenção que assegurou um largo pluralismo ao breve debate.

2007-09-06

10 livros que não mudaram a minha vida

Esta é a prometida e devida resposta à simpática solicitação do Tomás Vasques.
Limito-me a referir livros de memórias e ponho de lado a consideração de terem ou não "mudado a minha vida" por manifesta incapacidade em avaliar tal consequência.
Começo por referir os dois que escrevi. Sem dúvida os melhores. Segundo algumas opiniões suspeitas.
Álvaro Cunhal e a dissidência da terceira via - (Âmbar Maio 2007) Este revela um momento do PCP no seu pior mas não se pode tomar, como no livro se adverte, como pretendendo mostrar o que é O PCP. Sendo eu o autor não me parece bem que o recomende a ninguém.
ARA - Acção Revolucionária Armada (D. Quixote 2000) Um livro que apenas recomendo a quem queira conhecer uma página da história do PCP mas advirto que foi colocado no Index por este partido. Está esgotado e só se encontrará na Associação 25 de Abril ou em alguma feira de livro.
Foi Assim de Zita Seabra, Alêtheia, Junho 2007. É fundamentalmente um case study de carácter e de perfil político/psicológico da autora. (Claro que todos os livros de memórias, e não só, o são nalguma medida mas alguns exageram). Um amigo da autora tentou desculpá-la admitindo que surja um livro/errata para corrigir os enganos e falsidades receando, no entanto, um volume maior que o original.
MEMÓRIAS, um combate pela liberdade de Edmundo Pedro (Âncora, Janeiro 2007). É um relato fascinante da luta e sofrimentos inauditos de uma família em luta contra a ditadura. A não perder.
Conquistadores de Almas de José Luís Pinto de Sá (Guerra e Paz, 2006). É uma autobiografia política de docente e ex-aluno do Instituto Superior Técnico, antigo militante dos CCRM-L (Comités Comunistas Revolucionários Marxistas-Leninistas), um pequeno grupo da esquerda estudantil ultra-radical dos últimos anos da ditadura. É o livro auto-biográfico mais surpreendente que já li. O autor Afirma que preso pela PIDE/DGS a sua paixão pelo CCRM-L se transferiu para a polícia ao não resistir, durante alguns dias de espera em isolamento, à expectativa da tortura.
Eles têm o direito de saber de Jaime Serra, Edições Avante, 1997. A vida difícil dos trabalhadores e a fascinante trajectória política de um dos mais credenciados revolucionários do PCP.
Alvorada em Abril de Otelo Saraiva de Carvalho, Livraria Bertrand 1977 - um relato impressivo e incontornável da conspiração, do movimento das tropas para a tomada de Lisboa pelo comandante do golpe militar.
Ascensão Apogeu e Queda do MFA do então capitão Diniz de Almeida, Edições Sociais. (1980?) em dois volumes e muito documentado, apresenta um relato pormenorizado do processo revolucionário de 1974/75 focado no Movimento das Forças Armadas, visto e vivido por um dos mais importantes operacionais da revolução.
26 anos na Rússia Soviética de Francisco Ferreira - Chico da CUF - Fernando Pereira Editor, 1974. O livro apresenta-se: A mentira soviética revelada por quem a viveu. O socialismo não existe na URSS. Último aviso aos ingénuos. Um aviso que entretanto perdeu relevância.
Memórias Políticas de José Relvas, Terra Livre, 1977. José Relvas foi um daqueles revolucionários republicanos que em 5 de Outubro de 1910 anunciou aos portugueses, da varanda da Câmara Municipal de Lisboa, a vitória da revolução e da República. Uma visão incontornável, de um importante protagonista do facção política moderada mas um dos mais corajosos organizadores da revolução e não apenas um revolucionário do dia seguinte.